Uma nova imagem da supergigante vermelha Antares é a melhor já feita de uma estrela além do Sol, segundo pesquisadores.

A imagem mostra a superfície de Antares e revela que sua atmosfera é inesperadamente turbulenta, o que sugere que estão acontecendo alguns processos violentos na massa estelar.

Ela está localizada a 620 anos-luz da Terra, na constelação de Escorpião. Ela tem massa 12 vezes maior que o Sol e diâmetro 700 vezes o da nossa estrela. Portanto, ela é uma das maiores e mais brilhantes estrelas conhecidas em nossa galáxia. Ela também está no fim de sua vida; astrônomos estimam que ela deve explodir e virar uma supernova em apenas alguns milhares de anos.

A imagem foi feita com ajuda do Very Large Telescope do European Southern Observatory Interferometer (VLTI), que fica no Chile.

“Como estrelas como Antares perdem a massa tão rapidamente na fase final da evolução é uma pergunta que fazemos há mais de 50 anos”, diz Keiichi Ohnaka, da Universidade Católica do Norte do Chile.

“O VLTI é a única instalação que pode medir diretamente a movimentação de gases na atmosfera estendida de Antares, um passo crucial para esclarecer este problema. O próximo desafio é identificar o que está causando as movimentações turbulentas”, complementa Ohnaka.

O VLTI tem quatro telescópios Unit Telescopes de 8,3 metros e outros telescópios auxiliares de 1.8 metros que combinam a luz infravermelha captada via interferometria para criar um telescópio virtual de 200m de largura. Assim, imagens com alta resolução angular de objetos distantes podem ser obtidas, permitindo que a superfície da estrela seja estudada em detalhe.

Usando um instrumento chamado AMBER (Astronomical Multi-Beam Combiner), a equipe de Ohnaka conseguiu medir a velocidade das explosões de plasma no interior da estrela em posições específicas e comparar com a velocidade de outras regiões. Com estes dados, um mapa da velocidade relativa dos gases atmosféricos da estrela foi criado. Esta é a primeira vez que um mapa destes é criado para uma estrela além do Sol.

Os pesquisadores observaram um fato curioso sobre a Antares: a convecção de gases dela é muito diferente do que modelos previam, com a erupção de gases muito maior do que se imaginava. Por isso, os cientistas acreditam que possa haver outro processo para explicar a movimentação do material que não seja a convecção.

Ohnaka está confiante que as técnicas observacionais demonstrada em Antares possa ser aplicada a outras estrelas para ver como a atmosfera delas é estruturada, talvez revelando o mistério que causa essa movimentação turbulenta.

“Nosso trabalho traz a astronomia estelar para uma nova dimensão e abre novas janelas para a observação de estrelas”, conclui ele.

 

[HypeScience]

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