Para muitas pessoas, um “grande salto” é sinônimo do “pequeno passo” de Neil Armstrong na superfície da Lua.

Donald Pettit, astronauta da NASA e engenheiro químico, não concorda. O salto, diz ele, ocorreu muito mais perto de casa. “O salto gigante para a humanidade não é o primeiro passo na Lua, mas na obtenção da órbita terrestre”, escreveu ele.

Este primeiro passo, a cerca de 400 quilômetros da Terra, requer metade da energia total necessária para ir à superfície de Marte. Destinos entre a Terra e a Lua são apenas uma fração do necessário para simplesmente entrar na órbita terrestre. O custo desse primeiro passo é devido à magnitude da gravidade da Terra. E a física dita que pagar um centavo a menos do que o custo total resultará no retorno da sua nave espacial para a Terra de uma maneira não tão delicada.

A retenção da gravidade nos indica que o combustível para levantar o foguete ao espaço deve ocupar entre 80% e 90% da massa dos foguetes atuais. De acordo com Pettit, isso significa que entrar em um foguete é mais precário do que sentar sobre uma garrafa de gasolina. Isso também significa que não há muito espaço para coisas como alimentos, computadores, experiências científicas e astronautas.

Apesar dessas desvantagens, devemos nos considerar com sorte.

“Se o raio de nosso planeta fosse maior, poderia haver um ponto em que um foguete capaz de sair da Terra não pudesse ser construído”, diz Pettit.

Usando a equação do foguete de Tsiolkovsky, ele calcula qual seria esse ponto.

Vamos assumir que a construção de um foguete com propulsor de 96% é o limite prático para a engenharia destes veículos. Vamos também escolher o hidrogênio-oxigênio, o propelente químico mais energético conhecido e capaz de ser usado em um motor de foguete. Ao conectar esses números na equação do foguete, podemos transformar a velocidade de escape calculada em seu raio planetário equivalente. Esse raio seria de cerca de 9680 quilômetros (a Terra é de 6670 km). Se o nosso planeta tivesse 50% de diâmetro maior (mantendo a mesma densidade), não poderíamos ir ao espaço utilizando foguetes como meio de transporte.

O experimento de Pettit ressalta alguns pontos. Primeiro, que os foguetes são muito ineficientes. Se possível, devemos encontrar novas tecnologias para superar a dificuldade com a gravidade. Muitos métodos, alguns de fora da ficção científica, foram propostos. Porém, poucos foram testados ou fabricados. Em segundo lugar, estabelecer uma base de lançamento na Lua é muito intuitivo. A velocidade de escape da Lua é de apenas 21,3% da Terra. Isto ainda está longe, mas poderia ser mais fácil com os avanços na impressão 3D e no processamento de materiais. Afinal, para que funcione, precisamos extrair a maioria dos materiais para naves espaciais da própria Lua ou objetos espaciais próximos, como cometas ou asteroides. Alternativamente, poderíamos simplesmente usar a Lua como um “posto de gasolina”, utilizando suas reservas como combustível.

 

[ClimatologiaGeografica]

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