Antigos depósitos vulcânicos na Lua revelam novas evidências sobre o interior lunar, sugerindo que contém quantidades substanciais de água.

Usando dados de satélite, cientistas da Universidade de Brown estudaram depósitos piroclásticos lunares, camadas de rocha que provavelmente se formaram de grandes erupções vulcânicas. O magma associado a esses eventos explosivos é levado para a superfície da lua de muito profundo dentro do seu interior, de acordo com um estudo publicado em julho na Nature Geoscience.

Estudos anteriores observaram traços de água congelada em regiões sombreadas nos polos lunares. No entanto, esta água é provavelmente o resultado do hidrogênio que vem do vento solar, de acordo com o autor principal do novo estudo, Ralph Milliken, geólogo da Universidade Brown. A nova pesquisa revela que provavelmente também há uma grande quantidade de água no manto da Lua. Isso sugere que a água esteve presente na Lua no início da sua formação, antes de solidificar completamente, afirmou Milliken.

“Nós observamos a água em depósitos que estão na superfície, mas esses depósitos são o resultado do magma que originalmente vem do fundo do interior lunar”, disse Milliken. “Portanto, como os produtos do magma têm água, o interior da Lua também deve conter água”.

Os pesquisadores analisaram dados de satélite do Layer Mineralogy Mapper, a bordo da sonda indiana Chandrayaan-1, que mede a luz solar refletida em comprimentos de onda visíveis e infravermelhos próximos. Para estimar a quantidade de água presa nos depósitos piroclásticos, os cientistas tiveram que isolar a luz solar refletida da energia térmica emitida pela superfície quente da lua.

“Diferentes minerais e compostos absorverão e refletirão a luz de maneiras diferentes, então, no nosso caso, analisamos os comprimentos de onda onde as moléculas de H2O e OH absorvem luz”, disse Milliken. “Descobrimos que houveram maiores absorções, ou menos luz solar refletida, nesses comprimentos de onda para depósitos piroclásticos, o que indica que eles contêm OH ou H2O”.

Anteriormente, cientistas de Brown detectaram vestígios de água em amostras vulcânicas semelhantes trazidas para a Terra pelas missões Apolo 15 e 17. No entanto, as amostras da Apolo não foram coletadas dos grandes depósitos piroclásticos mapeados usando os dados do satélite no estudo recente. Isso colocou em questão se as amostras da Apolo representam uma grande parte do “interior molhado” da lua ou se representam apenas uma pequena região rica em água dentro de um manto seco.

“Nosso trabalho mostra que quase todos os grandes depósitos piroclásticos também contêm água, então esta parece ser uma característica comum dos magmas que vêm do interior lunar profundo”, disse Milliken. “Ou seja, a maior parte do manto da lua pode estar ‘molhado’”.

No entanto, a questão de como a água entrou no interior da lua permanece sem solução.

“Geralmente, pensa-se que o evento de impacto que formou a Lua era muito energético e quente para que a água permaneça lá”, disse Milliken à Space.com. “Uma opção é que a água surgiu após o evento de impacto, mas antes que a Lua estivesse completamente arrefecida, provavelmente devido aos impactos de cometas e asteroides que levam água”.

A evidência de água sob a superfície lunar também pode ter implicações sobre como a Terra tem água, dizem os cientistas. Além disso, as descobertas do estudo sugerem que os depósitos piroclásticos poderiam ser extraídos para a água, o que, por sua vez, poderia alimentar futuras missões para a lua.

“Esses depósitos podem ser muito mais fáceis de acessar do que o potencial de gelo da água em regiões sombreadas nos polos lunares”, disse Milliken. “A água é pesada e cara de levar da Terra ao espaço, então qualquer água que você pode encontrar na Lua em vez de levar da Terra é um grande negócio e abre possibilidades de presença humana sustentada na Lua”.

Agora os cientistas gostariam de mapear os depósitos piroclásticos em maior detalhe para que eles possam entender melhor como as concentrações de água variam entre diferentes depósitos na superfície lunar. Milliken também observou que esses depósitos seriam ótimos alvos para a exploração futura, durante o qual as amostras poderiam ser coletadas e depois estudadas para refinar ainda mais o teor de água estimado do interior da lua.

 

[ClimatologiaGeografica]

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