Marte é famoso por ser vermelho, deserto e inóspito hoje, mas é quase certo que há bilhões de anos atrás possuía mares de água líquida e um clima mais quente, não muito diferente da Terra hoje. Agora, graças a uma descoberta do rover Curiosity, pesquisadores puderam confirmar que Marte é ainda mais parecido com a Terra do que imaginávamos.

Usando um instrumento que analisa a geoquímica de quaisquer amostras de rochas, a Curiosity determinou que existem níveis extremamente elevados de óxido de manganês na superfície marciana – ou ao menos na cratera Gale, onde o pequeno laboratório é sediado. Para ter quantidades elevadas desta substância, um planeta precisa ter abundância de oxigênio na atmosfera.

Isso significa que quando essas rochas se formaram, Marte tinha uma atmosfera parecida com a da Terra. Embora seja difícil determinar com precisão a quantidade de oxigênio livre a partir destes dados, agora sabemos que estas condições aconteceram entre 2 e 2,5 bilhões de anos atrás, quando um evento chamado de Grande Evento de Oxigenação (atende pela sigla GOE, em inglês) aconteceu.

Curiosity na superfície de Marte.
Curiosity na superfície de Marte.
O GOE foi provavelmente causado pelo surgimento de vida fotossintetizante, que lentamente transformou a atmosfera rica em dióxido de carbono da Terra em uma atmosfera abundante em oxigênio. Quando a geologia da superfície não poderia reagir quimicamente e absorver qualquer oxigênio livre, ele foi deixado para acumular na atmosfera e o mundo foi oxigenado.

O óxido de manganês não pode se formar sem quantidades extremamente elevadas de oxigênio livre na atmosfera, como observado na Terra durante o GOE. Isso significa que houve água líquida abundante na superfície, o que está de acordo com vários estudos anteriores.

De onde veio o oxigênio livre marciano? Existem várias possibilidades, sendo a primeira a instigante ideia de que surgiu graças a micróbios, que causaram uma versão marciana do GOE.

No entanto, não existe qualquer evidência de vida microbiana em Marte – tanto no presente quanto no passado – o que torna a possibilidade improvável, mas não impossível.

“Uma forma possível para o surgimento do oxigênio na atmosfera de Marte é a partir da ruptura de moléculas de água quando o planeta estava perdendo seu campo magnético”, afirma Nina Lanza, principal autora do estudo publicado na Geophysical Research Letters.

Por “ruptura”, Lanza se refere ao fato de que quando o nosso Sol começou a destruir a espessa atmosfera de Marte, a radiação ionizante do Sol atingia a água na superfície, dividindo-a em hidrogênio e oxigênio. A fraca intensidade do campo gravitacional de Marte permitiu que os átomos de hidrogênio – mais leves – escapassem para o espaço, enquanto os de oxigênio ficavam na superfície. Estes átomos de oxigênio reagiam com a superfície, formando óxidos de manganês e de ferro (responsável por tornar a superfície do planeta vermelha).

[ClimatologiaGeografica]

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