Imagina um carro parado na garagem por 37 anos. Tentar dar a partida na velharia não parece uma missão tão promissora. Agora imagina que esse motor, no lugar de descansar no estacionamento, está viajando a cerca de 20 bilhões de quilômetros da Terra. É esse o desafio que move o time do Laboratório de Propulsão a Jato da NASAdesde 2014.

No dia 5 de dezembro de 1977, a sonda espacial Voyager 1 foi lançada com o objetivo de estudar os planetas Júpiter e Saturno, e suas luas. Para acertar a rota entre um ponto a outro da missão, pequenos grupos de propulsores eram utilizados. Em 1980, acabada a missão oficial da Voyager 1, ela foi liberada para seguir viagem rumo ao infinito do universo. É o único objeto humano que já saiu do sistema solar.

Desde então, apenas alguns propulsores eram acionados de tempos em tempos para virar a nave, posicionando a antena em direção à Terra, para poder se comunicar. Em 2014, porém, os cientistas perceberam que os propulsores estavam definhando. Gastavam cada vez mais energia para fazer o mesmo movimento.

Eles precisavam reativar quatro propulsores que estavam parados desde 1980. A tarefa, no entanto, não era fácil. “O time de voo da Voyager escavou décadas de dados antigos e examinou o software com uma linguagem ultrapassada, para ter certeza de que poderiam testar os propulsores com segurança”, disse Chris Jones, engenheiro chefe do laboratório.

No dia 28 de novembro, os engenheiros mandaram o sinal para dar partida pela primeira vez em 37 anos, com o comando de orientar a espaçonave com pequenos pulsos de 10 milissegundos cada. Depois esperaram. Foram 19 horas e 35 minutos para a mensagem chegar à Voyager 1 e voltar, até o resultado do teste ser captado pela antena da NASA.

“O time Voyager ficou mais excitado a cada passo do teste dos propulsores. O sentimento era de alívio, alegria e incredulidade após testemunhar os propulsores resetados cumprirem a tarefa como se o tempo não tivesse passado”, contou o engenheiro de propulsão Todd Barber.

Os resultados deram tão certo que agora a meta é testar os propulsores da Voyager 2. Mas o trabalho, dessa vez, parece mais fácil. A Voyager 2, apesar de ter sido lançada pouco antes que a 1, ainda está a alguns anos de chegar ao espaço interestelar e seus propulsores estão em melhor estado.

[GALILEU]

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