Vinte navios naufragados do 4º e do 5º séculos a.c. foram descobertos por uma equipe de cientistas internacionais, co-dirigida por um arqueólogo náutico da Universidade de Connecticut, nos EUA.

As novas descobertas trazem o número total de naufrágios encontrados pelo time para mais de 60. Registrados com as mais recentes técnicas de varredura, acústica e fotogramétrica a laser robóticas, eles representam um padrão ininterrupto de comércio e troca, guerra e comunicação que volta até a pré-história.

“Esta é a história se desenrolando diante de nós”, diz Kroum Batchvarov, professor associado de antropologia da Universidade de Connecticut, cuja especialidade é a arqueologia náutica. “Nós nunca vimos nada assim antes”.

Batchvarov é o líder do Projeto de Arqueologia Marítima do Mar Negro de três anos (MAP), descrito como uma das maiores expedições arqueológicas marítimas já empreendidas. Desde 2015, a equipe vem investigando as mudanças no ambiente antigo da região do Mar Negro, incluindo o impacto da mudança do nível do mar durante o último ciclo glacial como sua principal missão. O anúncio das descobertas de naufrágios no ano passado esteve nas manchetes em todo o mundo.

O naufrágio mais antigo encontrado até agora é do período clássico, entre o 5º e o 4º século a .C., garante Jonathan Adams, diretor do Centro de Arqueologia Marítima da Universidade de Southampton, na Inglaterra, e investigador principal da equipe científica. Os navios também foram encontrados nos períodos romano, bizantino e otomano, abrangendo um período de dois milênios e meio. “Essa coleção deve incluir um dos melhores museus submarinos de navios e da navegação no mundo”, acrescenta.

Alguns dos naufrágios sobreviveram em “condições incríveis” devido às condições anóxicas – sem oxigênio – do Mar Negro abaixo de uma certa profundidade, diz Adams. Os navios estão a centenas ou milhares de metros de profundidade com seus mastros ainda em pé, lemes no lugar, cargas de ânforas e acessórios do navio no convés, com esculturas e marcas de ferramentas tão distintas quanto o dia em que foram feitas. Muitos dos navios mostram características estruturais, acessórios e equipamentos que só são conhecidos por iconografia ou descrições escritas, mas nunca vistas até agora.

“Os arqueólogos estão no papel de Sherlock Holmes. Estamos reunindo as pistas para descobrir o que aconteceu “, diz Batchvarov. “O que aprendemos sobre o passado, do passado, é aplicável aos tempos modernos”, afirma. Batchvarov diz que um navio romano inteiro de 2.000 anos encontrado sepultado no fundo do mar, com seu mastro, calha e cordas ainda intactas é “um achado incrível, o primeiro de seu tipo”.

O MAP do Mar Negro está completando sua fase final de trabalho de campo, tendo escavado os restos de uma comunidade da Idade do Bronze no rio Ropotamo, na Bulgária, perto do antigo litoral, quando o nível do mar era muito menor do que hoje. À medida que as águas subiam, o assentamento foi abandonado, e agora os restos de madeiras domésticas, lareiras e cerâmicas ficam a 2,5 metros abaixo do fundo do mar.

O vale em que a aldeia estava localizada tornou-se uma baía protegida visitada por colonos gregos do período arcaico, depois um porto para marinheiros bizantinos precoce e, finalmente, uma ancoragem usada pelos otomanos.

A equipe também continuou seu trabalho de pesquisa em águas profundas até 50 quilômetros para dentro do mar usando o Surveyor Interceptor, um revolucionário veículo robotizado de operação remota, para realizar pesquisas geofísicas ao longo de milhares de quilômetros, revelando antigas superfícies terrestres enterradas profundamente abaixo do fundo do mar e extraindo amostras de núcleos de sedimento com até 12 metros de comprimento.

Cineastas documentaram as descobertas de cada viagem, incluindo imagens extraordinárias subaquáticas dos destroços, para proporcionar ao público internacional uma visão única sobre a história do Mar Negro.

 

[HypeScience]

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