Pensar sobre o fim do mundo é – cientificamente falando – um pouco divertido.

Lançar todas as armas nucleares do mundo ia ser bem ruim para a humanidade, mas se você realmente quer trazer o apocalipse à tona, acionar todos os vulcões do planeta seria uma forma mais vilanesca de destruir o planeta. O ponto é que existem mais maneiras de trazer destruição para o planeta do que as pessoas pensam. Então por que não pensar no fim do mundo removendo toda a sua água?

Como você deve suspeitar, as pessoas morreriam bem rápido sem isso, mas o que aconteceria com o resto do planeta? Restaria alguma coisa além de uma concha empoeirada? Vamos dar uma olhada.

Um ponto marrom pálido no espaço

Suponhamos que uma frota de aliens exploradores acabou de aparecer em algum lugar entre a Terra e a Lua. Eles foram um pouco bestas, por que ao queimar muito combustível a base de fóssil e rico em carbono e bombear muitos gases de efeito estufa, eles causaram o superaquecimento do seu planeta, o que fez com que toda a água nele evaporasse.

Então, eles apareceram com um grande aspirador espacial para roubar toda nossa. Para o bem da simplicidade, vamos dizer que ele tem a capacidade de remover água de tudo, exceto coisas vivas.

Com os lideres mundiais incapazes de fazer alguma coisa, e os Estados Unidos, com toda sua grandeza militar, respondendo com tweets escritos em letras maiúsculas insultando os aliens, nós ficamos sem esperança de derrotar os agressores extraterrestres.

A primeira coisa que notaríamos é que os rios, lagos, poças e oceanos teriam desaparecido. Toda vida que os habitavam morreria dentro de horas, e os continentes em que vivemos iriam se elevar sobre bacias recém-criadas, cuja maioria teria em média 3.8 quilômetros de profundidade.

O Ártico iria deixar de existir, e a topografia escondida embaixo dele se assemelharia a uma série de fendas irregulares. A Antártica, livre de seu edredom de gelo, se tornaria uma terra rochosa cheia de montanhas e cânions tão grandes que seriam impossíveis de sondar.

Nuvens não iriam mais pairar sobre as nações do mundo, chuva e neve se extinguiriam, furacões e tempestades evaporariam, e o nosso pontinho azul e pálido se tornaria mais marrom e verde.

O clima seria dominado por vento. Desertos arenosos iriam se espelhar pelo planeta.

Eventualmente, a vegetação iria morrer. Vida animal, incluindo a nossa, logo iria seguir o exemplo e literalmente morder a poeira. Esta, no entanto, é a parte óbvia. Você provavelmente já adivinhou que nós estaríamos completamente ferrados, mas o destino do mundo vai além do frágil Homo sapiens.

Aumente a temperatura

Os oceanos são o maior depósito de carbono do mundo. Esqueça a atmosfera, muito da energia termal presa na atmosfera do planeta por gases de efeito estufa são armazenados nos oceanos. Só no último século, estes corpos d’água gigantes evitaram que a Terra aquecesse 36° C, ao invés do 1° C que ela aqueceu na realidade.

Planetas com muito dióxido de carbono e metano e sem água o suficiente são suscetíveis a experimentar aquecimento global descontrolado.

Veja o exemplo de Vênus. A sua geografia é muito similar a do nosso planeta, e é possível que a sua superfície tivesse água antigamente. No entanto isso claramente não foi o suficiente para lidar com todo o dióxido de carbono presente em sua atmosfera, muito do qual provavelmente veio de antigas e poderosas erupções vulcânicas.

Algum do dióxido de carbono foi absorvido pela água, mas por fim, o planeta ficou muito quente e a água evaporou para o espaço.

Isso deixou Vênus sem um deposito significante de carbono além da atmosfera, então nosso vizinho continuou aquecendo até chegar a sua temperatura de superfície atual de mais ou menos 462°c.

Sem nenhuma água na Terra após o grande ataque de desidratação, nosso planeta iria sofrer um destino similar.

Não esqueça que a vegetação também morreu. Sem plantas para converter dióxido de carbono em oxigênio através da fotossíntese, o mundo iria aquecer ainda mais rápido.

O que se encontra embaixo

Não podemos esquecer que grande parte da água da Terra não reside meramente na superfície.

Há muita água escondida no subterrâneo, na crosta das placas tectônicas que continuamente se movem, se juntam e se separam.

Muito dela também se esconde no manto, o pedaço superaquecido e agitado do planeta que preenche 84 por cento do seu volume. Leve embora essa água também, e a Terra se tornará completamente irreconhecível.

Veja bem, quando uma placa densa se move para uma menos densa, ela afunda em baixo da outra. Conforme o manto se aquece, ele desidrata, e a sua água evapora, subindo para a porção do manto entre as duas placas.

Através de uma série de peculiaridades vulcanológicas, isso aciona um sistema de “encanamento” magmático na crosta que produz vulcões explosivos, como o Monte Fuji, por exemplo. Sem água esse processo não ocorreria e haveria bem menos vulcões na terra.

Estranhamente, o processo de placas tectônicas por si mesmo estaria com um pouco de problemas. Uma placa tectônica submerge embaixo de outra por que é mais densa, mas digamos que temos duas placas compostas do mesmo material, o que aconteceria?

Bom, elas provavelmente fariam como a Índia e Eurásia – duas placas continentais igualmente densas – e se chocariam uma contra a outra, ambas forçando a outra pra cima, formando os Himalaias.

No caso de duas placas tectônicas serem da mesma densidade, uma só afunda efetivamente embaixo da outra graças ao peso de um oceano cheio de sedimentos em cima dela.

Sem um oceano presente, nenhuma das placas será afundada por acumulo de sedimentos. Ela não será empurrada para de baixo da outra e subduzida. Em vez disso, as duas placas continuarão se chocando uma contra a outra.

Então se aliens sugassem todos os oceanos hoje, qualquer placa oceânica se chocando contra outra placa oceânica, ou qualquer placa continental se chocando contra outra placa continental se esmagariam uma contra a outra e formariam grandes séries de montanhas.

Essencialmente, então, se a Terra realmente tivesse todo a sua água não biológica roubada, ela rapidamente se tornaria um mundo deserto superaquecido, cheio de abismos do tamanho de continentes e, eventualmente, montanhas ridiculamente altas.

A vida, no entanto, iria dar um jeito. Vida microscópica, pelo menos – aquele tipo que não precisa contar com a água para sobreviver.

É provável que a vida precisasse de água para emergir – e quase toda vida hoje em dia requer ela – mas conforme a evolução seguiu seu caminho, micróbios conhecidos como “extremófilos” apareceram. Ambientes inacreditavelmente quentes, ácidos poderosos, e a falta da luz do sol ou da água na verdade parecem servir para algumas dessas formas de vida absolutamente minúsculas.

Alguns deles existem na crosta terrestre e sobrevivem, usando monóxido de carbono para produzir nutrientes. Como uma equipe da NASA descobriu recentemente, outros se escondem em cristais gigantes, existindo em um estado de animação suspensa.

Então, sim, a humanidade estaria condenada se toda a água da Terra fosse roubada. Sim, o planeta se tornaria um gigante deserto com uma topografia insana. Mas esgueirando nas sombras estariam os extremófilos, dominando o mundo aos poucos após a partida dos aliens hidrofílicos.

[ClimatologiaGeografica]

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