Janeiro será um mês atípico para a astronomia devido a união de fenômenos raros. O primeiro é a “Lua azul”, que acontece quando a lua cheia ocorre duas vezes em um mesmo mês. Isto acontece, em média, a cada dois anos e meio. Julho de 2015 registra a última vez que duas luas cheias foram vistas neste período.

O segundo é a “Lua de sangue”, o eclipse lunar total quando, por alguns minutos, a Lua será completamente coberta pela Terra e sua coloração prateada-azulada mudará para um tom avermelhado. Esse evento, no entanto, será visto só do hemisfério norte.

O fenômeno que ganhou o apelido de “Lua de sangue azul” é ainda mais incomum. De acordo com o site norte-americano de astronomia Space.com, a última vez que isso aconteceu foi há mais de 150 anos, em 31 de março de 1986.

Para finalizar, a segunda lua cheia de janeiro será ainda uma superlua – assim como a primeira, que aconteceu no primeiro dia do mês, ela estará maior e mais brilhante.

A seguir, entenda os fenômenos.

O que é e por que ocorre a Lua azul?

A ocorrência de duas fases cheia da Lua no espaço de tempo de um mês configura a Lua azul. O evento ocorre com frequência regular de pouco mais de dois anos e meio de intervalo, em média. O motivo é pura matemática: o ciclo lunar tem 29,53 dias de duração e um mês 30 ou 31 dias (exceto fevereiro, com 28 ou 29 dias, mês no qual a realização da Lua azul é impossível).

Portanto, uma sequência de 12 lunações é de 354,36 dias. A conta não fecha com os 365,24 dias do calendário. Assim, eventualmente alguns anos apresentam até 13 lunações – é o caso de 2018. Não só haverá uma Lua azul dia 31 de janeiro (a primeira Lua cheia será no dia 1), como também ocorrerá uma segunda Lua azul no dia 31 de março (a primeira também será dia 1).

Duas Luas azuis no mesmo ano, como veremos em 2018, é algo raríssimo. Leva 235 meses lunares, ou 19 anos do calendário gregoriano. A próxima vez, portanto, será somente em 2037, também em janeiro e março – quando isso ocorre, fevereiro fica sem nenhuma Lua cheia.

De onde surgiu o termo Lua azul?

O termo Lua azul é utilizado também para designar outro evento lunar não tão comum.

Geralmente, nas sequências lunares, ocorrem três Luas cheias seguidas. Quando a sequência indica quatro Luas cheias, a terceira é chamada de Lua azul. Esta utilização do termo é, inclusive, anterior ao uso de “Lua azul” para duas Luas cheias em um mês.

Há registros de até 500 anos atrás que relacionam “Lua azul” a uma metáfora sobre algo impossível e muito difícil de acontecer. Com o passar dos séculos, seu uso se tornou mais flexível e por volta da década de 1920 foi aplicada em textos astronômicos para a terceira Lua cheia seguida. Em 1946, pela primeira vez, o termo foi usado para a segunda Lua cheia do mês.

Então, não, a Lua azul não é mais ou menos colorida que qualquer outra Lua do ano.

Evento é, também, “Lua de sangue”

A data marca também um eclipse lunar total. Por alguns minutos, a Lua será completamente coberta pela Terra e sua coloração prateada-azulada mudará para um tom avermelhado, pois não será atingida pela luz do Sol neste momento. No hemisfério norte, o fenômeno é chamado de “Lua de sangue”.

Infelizmente, este eclipse total lunar não poderá ser visto aqui no Brasil. O evento cósmico será observável apenas da costa oeste da América do Norte, leste da Ásia e Oceania.

O que é a superlua?

A superlua depende de dois eventos cósmicos acontecerem ao mesmo tempo. Um deles é o alinhamento de Sol, Terra e Lua de tal maneira que a face lunar esteja completamente iluminada pela luz solar (é a lua cheia) ou alinhada de maneira oposta (lua nova).

O outro evento é a ocorrência do perigeu (a aproximação máxima da Lua em relação à Terra durante sua rota orbital ou até 90% próxima desse ponto).

A Terra gira em torno do Sol, e a Lua gira em torno da Terra. Nesta dança dos astros cósmicos, a distância entre o planeta e o satélite natural aumenta e diminui, de acordo com a posição da órbita lunar – para configurar o perigeu, deve estar a cerca de 360 mil quilômetros.

Superluas de janeiro

Na noite do dia 1 de janeiro, exatamente às 21h56, a Lua atinge seu perigeu, a exatos 356.565 quilômetros da Terra.

O momento de melhor visibilidade será partir das 2:24 já do dia 2 de janeiro, quando entra em sua fase cheia. É a maior Lua do ano.

E no dia 31, ela já estará na posição mais perto da Terra desde as 9h54 da manhã, embora só possa ser vista à noite.

Como é a segunda Lua cheia do mês, se configura como a Lua azul. Ao mesmo tempo, é a segunda superlua de janeiro: uma “superlua azul” é um fenômenos ainda mais incomum, tendo ocorrido apenas uma vez neste século, em julho de 2004.

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