Segundo os cientistas, os oceanos de água líquida, escondidos abaixo das crostas de gelo de três dos satélites naturais de Saturno são ótimas apostas para abrigar a vida como conhecemos. Encélado, Dione e Titã provavelmente possuem grandes oceanos subterrâneos, mas a estrutura de cada um dos oceanos apresenta uma probabilidade diferente de vida.

A missão Cassini-Huygens (uma parceria da NASA, da ESA e da Agência Espacial Italiana) foi extremamente importante pra conhecer os sistema de Saturno. Lançada em 1997, 18 luas eram conhecidas e 13 eram suspeitas. Agora, o número de luas confirmadas já passou de 50. A missão Cassini revelou sete luas completamente desconhecidas que não são visíveis ​​da Terra.

O complexo sistema de luas saturnianas forma um mecanismo de ressonâncias gravitacionais peculiar. Elas perturbam as órbitas umas das outras e esculpem constantemente os anéis de Saturno. O planeta maciço interrompe gravitacionalmente as luas, e aquece consideravelmente algumas delas.

Cientistas acreditam que algo maravilhoso poderia estar acontecendo sob a superfície da pequena lua Encélado. Em 1981, quando a nave espacial Voyager 2 da NASA fez um sobrevoo em Encélado, ela se mostrou como um mundo brilhante de poucas crateras. Essa lua de apenas 505 quilômetros de largura se tornou o objeto mais brilhante do Sistema Solar por conta de sua reflexão dos raios solares.

Em 2005, dados do magnetômetro de Cassini fizeram os cientistas ficarem de boca aberta: sua assinatura magnética se parecia mais com a de um cometa do com a de um satélite típico. As câmeras de Cassini registraram plumas de água contra o fundo preto do espaço, próximo da região polar.

Vários sobrevoos rasantes confirmaram que a região tinha temperaturas mais quentes do que o resto da superfície – cerca de 100°C. Foram encontradas fissuras e rachaduras da crosta gelada de Encélado, através da quais os geyseres de água eram liberados para o espaço a cerca de 1.300 km/h.

Em 12 de março de 2008, a sonda Cassini passou a apenas 50 km do pólo sul da lua, e descobriu que as plumas de água continham amônia, metano e dióxido de carbono. Em 2014, novos dados revelaram que a água dessas plumas era salgada, contendo potássio e sódio, muito parecida com a água dos oceanos da Terra. Gás de hidrogênio e cristais de silicato também foram encontrados nos jatos de água, e de acordo com os cientistas, isso só pode acontecer com água fervente.

Essas evidências sugerem portanto a presença de um oceano líquido de água salgada sob o gelo, em contato com um fundo quente e rochoso através do qual a água quente carregada de minerais flui. Provavelmente existem aberturas hidrotermais nas profundezas de Encélado, semelhantes aqueles encontrados em nosso planeta – um oásis para a vida?

Encélado é uma das maiores apostas para encontramos vida fora da Terra em nosso Sistema Solar. Essa pequena lua parece estar implorando para que retornemos com instrumentos capazes de detectar aminoácidos, moléculas de carbono e quem sabe, alguma forma de vida complexa.

Titã é dez vezes maior que Encélado, e também possui uma grande quantidade de líquidos, mas aquilo que flui em sua superfície é hidrocarboneto, e não água. Devido a sua temperatura de superfície, é difícil que encontremos água líquida, porém o metano, etano, e propano se deslocam em todos os três estados: sólido, líquido e gasoso. Sua neblina espessa dificulta qualquer observação aérea, mas sua atmosfera é rica em compostos orgânicos.

A notícia boa é que Cassini consegue observar através dessa espessa atmosfera através de ondas de radar. O pousador Huygens (pertencente a missão) tocou a superfície de Titã em janeiro de 2005, revelando um local repleto de lagos de hidrocarbonetos, muito parecido com os lagos e oceanos da Terra.

Titã também parece ter um núcleo quente. Ele completa uma volta ao redor de Saturno a cada 16 dias, mudando de forma durante essa trajetória. Se Titã fosse apenas um mundo sólido, seus efeitos de maré seriam dez vezes menores, de acordo com cientistas.

A crosta gelada de Titã pode evitar o contato da água líquida em seu interior com a mistura complexa de minerais necessários para a vida. Por conta disso, é fundamental saber se a superfície orgânica de Titã tem contato com os mares subterrâneos.

Um dos maiores mistérios de Titã é a quantidade de metano que existe em sua superfície. o metano desaparece rapidamente, portanto algo deve estar reabastecendo essa grande reserva. Se houver fissuras profundas através das quais a amônia de um oceano subterrâneo salgado seja liberada, os raios solares quebrariam as moléculas, liberando muito metano… Isso também permitiria o contato da atmosfera com o oceano escondido, o que elevaria consideravelmente as chances de algum tipo de vida existir no subterrâneo.

Assim como ocorre com Encélado e Titã, as luas Dione e Tétis estão sujeitas aos efeitos de maré geradas por Saturno. Em ambos os mundos, existem manchas em suas superfícies, onde lagos de água líquida parecem congelar em uma certa escala de tempo

Dione é semelhante a Encélado, exceto pelo seu tamanho, de 1.100 km (cerca de duas vezes maior). A crosta gelada de Dione também é mais espessa que a crosta de Encélado. Estudos sugerem que a quantidade de água líquida existente abaixo da crosta de gelo de Dione é extremamente grande. Uma futura sonda submarina poderia encontra fontes de calor e nutrientes minerais que poderiam facilmente sustentar alguma forma de vida.

Esses mundos de gelo que escondem oceanos subterrâneos não são uma exclusividade do sistema de Saturno. O sistema Plutão / Caronte, por conta do efeito de maré que um exerce sobre o outro, pode ter um núcleo aquecido, e partes de Plutão parecem ser ressurgidas do passado recente.

O gigante Júpiter também exerce forças de maré em suas luas, principalmente nas quatro observadas por Galileo há quatro séculos. Io, a lua mais interna, possui mais de 400 vulcões ativos de enxofre, e seu núcleo de ferro fundido parece ter um papel fundamental em sua geologia. De todos os mundos do Sistema Solar, Io pode ser um dos mais desérticos e tempestuosos, pois além de ser cheio de vulcões ativos, ele é o objeto mais seco do Sistema Solar. Não existem oceanos de água em Io. Mas cada um dos seus três irmãos – Europa, Ganimedes e Calisto – possui um oceano sob a superfície.

Europa é um pouco menor do que a Lua da Terra, e possui uma fina atmosfera de oxigênio. Esse mundo possui a superfície mais limpa do Sistema Solar, com poucas crateras de impacto, o que sugere que está constantemente sendo repavimentado com gelo de água, disseram cientistas. Os astrônomos que utilizam o telescópio espacial Hubble da NASA descobriram sinais de plumas de vapor de água que emanam de Europa, semelhantes aquelas encontradas em Encélado.

Algumas das luas de Saturno, como Mimas, parecem ser produto de antigas colisões catastróficas. Medindo apenas 220 km, Febe, com sua superfície escura e repleta de crateras, ejeta matéria ao espaço. Jápeto, uma das maiores luas de Saturno, possui um tom avermelhado escuro… Hipérion é um satélite pouco denso e com aparência esponjosa, lembrando muito uma pedra-pomes vulcânica. Hipérion é um dos maiores objetos irregulares (não esféricos) de todo o Sistema Solar.

Muitos satélites de Saturno parecem ser asteroides capturados.. Cassini também descobriu pequenas lacunas nos anéis de Saturno, o que provavelmente resulta do nascimento de novas luas…

Saturno possui um complexo sistema de luas (além de seu famoso sistema de anéis). Não é a toa que ele é um dos planetas mais fascinantes do Sistema Solar. Cada um dos mundos que gira ao seu redor é como uma jóia rara pedindo para ser observada.

 

[GaleriaDoMeteorito]

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