Comecemos com uma informação de cada vez. Na escola você aprendeu, provavelmente nas aulas de Geografia, que a Lua é o satélite natural da Terra. Ao passear pela internet, já deve ter visto muitas informações sobre essa “lua oficial”, que gira ao redor do nosso planeta e é responsável por diversas dinâmicas. Então a Terra tem uma Lua, e sobre isso não há controvérsias, mesmo o mais feroz defensor da Terra plana terá de concordar.

Também nunca ouvimos falar de um conspiracionista que dissesse que a Lua não passa de uma grande farsa da NASA para esconder o polemico Nibiru, que estaria vindo se chocar com a Terra algum dia. Contudo, além da Lua, você sabia que nós temos uma “quase 2ª Lua”?

Na sua jornada pelo espaço ao redor do Sol, a Terra captura pedras com tamanhos diversos que acabam se queimando na alta atmosfera, os meteoros. Alguns deles conseguem sobreviver e caem na superfície e passam a se chamar meteoritos. Já outros objetos passam perto da Terra sem deixar nenhuma marca, a não ser um registro no catálogo de objetos próximos da Terra, ou Near Earth Object (Objeto Próximo da Terra), NEO na sigla em inglês. Mas existe uma terceira categoria de objetos.

Alguns desses objetos que vagueiam por perto da Terra podem ter uma órbita e velocidade adequadas para serem capturados pelo nosso planeta, mas sem cair nele. Pelo contrário, o objeto nem passaria diretamente, e nem cairia na Terra, mas sim, entraria em órbita. Isso é só uma questão de dinâmica orbital, as chances são bem pequenas, mas como sempre tem um desses objetos passeando por aí, isso não é tão raro de acontecer.

Um interessante candidato a uma quase 2ª Lua é o objeto (469219) 2016 HO3. que foi descoberto em 2016 e chamou a atenção por justamente não passar direto por nós e tampouco entrar em rota de colisão.

E aconteceu! A Terra capturou um objeto

Alguns trabalhos mostram que é possível um objeto ser capturado e permanecer em orbita estável ao redor da Terra por um ano. Depois disso, ele acaba sendo ejetado para o espaço profundo novamente. Como a frequência de passagem de um objeto pequeno nas condições de ser capturado é de aproximadamente um por ano, a ideia é que sempre há um pequeno asteroide orbitando a Terra. Quando um desestabiliza e voa longe, já tem outro para ocupar o seu lugar.

Um interessante candidato a uma quase Lua dessas é o objeto (469219) 2016 HO3. O número entre parênteses é nomenclatura de asteroide e o resto segue a nomenclatura de um NEO (Near Earth Object-Objeto Próximo da Terra). HO3 foi descoberto em 2016 e chamou a atenção por justamente não passar direto por nós e tampouco entrar em rota de colisão. Pelo contrário, ele orbita a Terra a uma distância que varia entre 38 e 100 vezes a distância entre a Terra e a Lua.

Como ele gira muito rápido, uma vez a cada 28 minutos, de inicio pensou-se que se tratava de um estágio de um foguete antigo, que depois de descartado tivesse entrado em órbita. Essa dúvida motivou uma equipe de astrônomos liderada por Vishnu Reddy, do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, a usar um dos maiores telescópios da Terra para estudá-lo.

Na verdade, dois dos maiores telescópios, o Grande Telescópio Binocular (LBT). Sim é isso o que você está pensando, dois telescópios de 8,4 metros de diâmetro cada acoplados para funcionar como um binóculo gigantesco. Reddy e colaboradores conseguiram medir o tamanho do objeto quando ele passou pela menor distância à Terra, por volta de 16 milhões de km.

Segundo eles, HO3 tem por volta de 100 metros de comprimento, o que o deixa maior do que qualquer foguete jamais lançado. Para se ter uma ideia, o Saturno V que levou o homem à Lua tinha 110 metros e era dividido em 3 estágios. HO3 é o NEO em órbita da Terra com o maior tempo de estabilidade conhecido. Outro ponto a favor de um asteroide é que a luz refletida por HO3 é quase igual à luz refletida por meteoritos recolhidos na Terra.

Com dois satélites naturais, a Terra já empata com Marte, que mesmo muito menor tem duas pequenas luas. É uma pena que HO3 seja tão pequeno e esteja muito distante… já pensou que legal ia ser ter uma segunda Lua brilhando no céu?

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